Amor condicional.

Um sobrinho postou no Facebook: “Dizer ‘eu te amo’, até ursinho de R$ 1,99 diz”. Achei muito pertinente isso! A palavra ‘amor’, assim como a valorosa dignidade humana, realmente se banalizou em prol dos movimentos capitalistas contemporâneos.

Da mesma forma que simples interesses mercadológicos decidiram chamar de “cientistas” a formandos de cursos técnicos, a palavra amor e o crédito de seu significado são mudados de acordo com a necessidade do argumento que compõem. O sentido da palavra também está adaptado no amor cantado nas músicas populares onde se transformou em paixão alucinante ou numa espécie de entidade espiritual que incorpora homens e mulheres e os faz perder totalmente o controle sobre suas ações, reações e a própria vida.

Para muitos, o significado da palavra não ganha sua merecida nobreza também no amor conhecido como incondicional, o amor de mãe – a mais significativa forma de amar. As mídias atuais noticiam casos de mães que abandonam seus filhos enquanto crianças por causa de outros amores; mães que espancam seus filhos por puro amor; mães que, por amor próprio, se utilizam de um bom pedaço do potencial de amar de seus pupilos como armas contundentes contra seus ex-maridos – o que a justiça aprendeu a chamar de “alienação parental”; mães que, também por amor às suas carreiras profissionais, abortam ou parem em sacolas de supermercados depois jogadas no lixo. Uma parcela significativa da população materna tem mudado muito os valores e entendimentos sobre amor!

Sim, as coisas mudaram e continuam mudando, mas não deverão ser nossas evoluções a justificativa para saudarmos ao amor psicopata e, num outro extremo, não haverá de serem nossas emoções a desculpa para permanência no amor imaturo. O agravante desta segunda ponta é que a imaturidade é inconsciente e sua cura, a conscientização dos próprios e incoerentes comportamentos, é subjacentemente evitada – crescer dói.

A mãe precisa estar amadurecida para amar a seus filhos porque seu amor a partir da primeira parição não será suficiente. Serão necessárias outras parições dos mesmos filhos e a partir da primeira, a carência das próximas deverá ser percebida pelo novo amor da mesma mãe. Essas novas entregas à luz demandarão um amor de mãe diferente, não psicopata, porém mais maduro. E assim, para cada outra nova necessidade de parto do filho crescido notada pelo amor verdadeiro da mãe, mais e mais assertivo se tornará este amor, mais maduras se tornarão as pessoas da mãe e do filho.

“Não devemos contentar-nos em falar de amor para com o próximo, mas praticá-lo”. A meu ver, poucas são as mães que fizeram algum upgrade no seu entendimento sobre amor aos filhos, poucas o praticam verdadeiramente – me referindo à frase de Albert Schweitzer. Ainda assistimos a maioria se alimentando das emoções da culpa que as impediram de agir nos momentos que deveriam e, depois e consequentemente, se especializando em justificativas para o mundo sobre a disfarçada mediocridade pessoal e profissional em que vivem seus filhos amados.

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