Hoje em dia é melhor influenciar do que mandar no trabalho.

Artigo de Álvaro de Carvalho Neto publicado na Revista Ser Mais (SP).

Na mesma proporção que os conhecimentos da humanidade surgem, se desenvolvem e se disseminam, as lideranças são desafiadas. Da descoberta da falsa divindade dos monarcas aos escândalos políticos e corporativos da atualidade, o poder vem sendo transferido de mãos superiores para mãos inferiores e uma certeza amadurecendo no consciente coletivo: o rato, quando assume o lugar do gato, também vira gato.

Em igual intensidade com que essas mudanças acontecem no mundo e nas pessoas, amadurece também a incerteza que fundamenta as decisões dos governantes corporativos e públicos. Tal insegurança transpassa as barreiras antes mantidas como fiéis protetoras e mantenedoras dos poderes nas lideranças e se mostra meio sem jeito à percepção de todos os seguidores.

Por outro lado, programas de formação e estímulo de habilidades corporativas desenvolvem competências relacionais nos ocupantes das linhas debaixo do organograma que têm colocado mandantes e comandados num mesmo nível de autoridade. A ordem dada parece não ter mais sentido ou efeito se sua necessidade não for entendida e compartilhada por todos: ninguém mais manda porque não se pode mais mandar e ninguém mais obedece porque não se têm mais juízo para obedecer. Pelo menos, não mais o juízo de valores que mantinha liderados obedientes há tempos atrás, mas alguma significativa evolução em seus juízos da realidade. Os seguidores amadureceram.

Aos executivos e gerentes cujas respectivas táticas desconsideram esta óbvia mudança, é preciso dizer que ninguém mais poderá contar com seu papel formal para se garantir como mandante da equipe. Será necessário influenciar essas pessoas se utilizando de autoridade – diferentemente de poder, autoridade não vem do cargo, mas das virtudes para a influência interpessoal. E aos executivos e gerentes que buscam desenvolver a habilidade da autoridade, será preciso, fundamentalmente, eficácia e integridade.

Quem influencia, influencia alguém a algo. Portanto a causa da influência precisa estar lá e sua definição aceita por todos ou quase todos. As maneiras de se alcançá-la também devem ser participativa e assertivamente argumentadas. Não existirá eficácia influente se não brilhar diante da equipe um estado futuro desejado.

Os líderes influentes são coerentes com o que são ou pensam – integridade. Suas ações comunicam uma ética admirável que referencia o grupo. A hipocrisia salta aos olhos e pode ser notada indiscriminadamente por qualquer um do time.

Sem tais competências na liderança ou apenas sob as ordens, surge uma falsa concordância que Fela Moscovicci chamou de acordo mórbido – diante dos mandantes as pessoas se mostram indiscutivelmente concordantes, mas, em suas vísceras, já mataram o trato feito.

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