Na real

Ainda esperamos pela entidade maior que nos salvará sem percebermos que as coisas sempre dependeram e sempre dependerão apenas das iniciativas de pessoas como nós mesmos. Não nos surgirá um Messias. Teremos como maior lição dessas invasões vermelhas, a certeza de que nós somos os últimos homens, não há atrás uma autoridade salvadora – amadureceremos pela dor.

As democracias também não são divindades protetoras que tanto querem os povos imaturos. São sistemas de funcionamento sobre os quais as pessoas atuam administrando a si próprias em seus interesses e deveres, respeitando as regras, reconhecendo suas fragilidades e capacidades, mas gerindo seus próprios movimentos – terreno para adultos.

Dessa cultura adolescente, se aproveitam sem escrúpulos os que agem como deveriam agir todos os éticos: crescem sem receio, jogam jogo de gente grande e não se vitimam sem estratégias. Têm o juízo de realidade e não o de valor.

Não nos cabe mais as explicações sobre a origem dessa imaturidade toda. Não nos levará ao estado que precisamos, entendermos que a colonização de nosso país teve interesses catequético-exploratórios e não de liberdade e conquistas. Também não nos justificará a condição de latinos com nossas características peculiarmente temerárias. Enfim, não teremos mais desculpas para não elevarmos as curvas de maturidade de nosso povo aos níveis demandados pelos desafios da atualidade.

O mundo está mudando, a civilidade está mudando significativamente e os humanos precisam mudar como camaleões nas relações com as novas coisas e pessoas, e atuar com inteligência e perspicácia na readequação das estruturas para seu funcionamento nela.

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