O que um Mentor pode fazer pela sua carreira.

Artigo de Álvaro de Carvalho Neto publicado na Revista Ser Mais (SP).

Se na atual fase da sua carreira existir algum objetivo pulsando adiante, cuja realização e formas de atingi-lo alterem positivamente seu estado de ânimo, legal! Tudo estará ok e justificado. Mas se o horizonte está nublado, o significado do que vê no seu futuro não te balança, um desligamento o deixou a deriva, ou simplesmente esvaziou-se a rotina do dia-a-dia no trabalho, pode ser momento de tirar a cabeça do buraco e rever sua vida e rumos profissionais. Da fase pré-vestibular à aposentadoria do funcionário, empreendedor ou autônomo, esses momentos se tornam safras de floridas explicações para a mediocridade profissional, quando não corajosa e produtivamente aproveitados.

Sua carreira estará produtiva se um bom grau de sua felicidade estiver levando você ou alguém a estados mais felizes. E descobrir-se assim não constitui tarefa fácil. Entender o que é e como ser feliz é questão clássica que vem desafiando a humanidade ao longo de toda sua história. Mas, um encontro de suas aspirações, possibilidades e habilidades com a experiência, conhecimento e maturidade de pessoas dispostas a ajudá-lo, poderá ajustar seu caminho profissional e fazê-lo bem mais realizado nele. Essas pessoas são chamadas de mentores e o papel delas não é novidade, homens e mulheres sempre precisaram da referência e orientação dos mais experientes. Porém, agora, profissionais com tal aptidão se especializam na função e vendem seu tempo em processos de mentoring que podem fazer muito pela sua carreira. Por exemplo:

  • Achar e se manter no foco. As incontáveis informações que recebemos nos dias atuais nos fazem gerar tantas possibilidades de realização que ficamos perdidos. Os estímulos são muitos. As mesmas motivações acionadas para um ou dois objetivos no passado, para os quais as pessoas se preparavam com recursos, qualificação e planos, agora estão permanentemente tensionadas. Não estamos tendo tempo para aliviar essa tensão na realização prática de sua causa porque outros estímulos logo alteram ou se sobrepõem às motivações presentes. Perceber sentido num caminho e aproveitá-lo dia a dia – um Mentor pode te ajudar muito nisso.
  • Descobrir-se potente. As dificuldades encontradas do lado de fora muitas vezes apenas justificam os entraves não encontrados do lado de dentro. Quando isso não requer uma psicoterapia, algumas ações assistidas pontualmente pelo Mentor e voltadas para metas predefinidas, exercitam competências que se desenvolvem, são reconhecidas e apropriadas por você. Torna-se, então, mais autoconfiante.
  • Queimar muitas etapas. O Japão se recuperou em tempo recorde dos estragos causados pela segunda grande guerra graças a muitos fatores efetivos, mas o respeito oriental à sabedoria dos mais experientes acelerou vertiginosamente aquele processo. Diante de necessidades urgentes não se deram ouvidos aos apelos imaturos e improdutivos da autoafirmação. As oportunidades que passam como cavalos selados ou bichos de costas peladas podem não voltar mais, no entanto, existem muitas outras ao seu alcance neste momento. Talvez não estejam consideradas porque os recursos ou os motivos para aproveitá-las simplesmente não são percebidos. Alguém que já experimentou meios similares na busca de outras chances saberá apontar para tais possibilidades. Acredite.
  • Tomar decisões. Já disseram que as decisões não têm relação direta com os resultados pretendidos no momento que se bateu o martelo. Porém, elas precisam ser tomadas e sua assertividade dependerá de intuição, de conhecimento sobre o assunto e de confiáveis informações colhidas a respeito delas. A pesquisa, registro, análise e processamento dessas variáveis poderão ser objetivamente organizadas num encargo de mentoring. A tranquilidade por estar fazendo a coisa certa virá da confiança na fórmula que produziu a decisão e da confiança depositada em quem decidiu. O Mentor não decidirá por você, não haveria como. Mas o acompanhamento sistemático de suas decisões lhe trará segurança que, por sua vez, o recolocará mais assertivo diante das muitas outras de sua carreira. Terá confiança em si como quem decide.
  • Gerir-se. Cada um de nós é uma instituição socioprofissional que precisa de nosso próprio respeito para ser respeitada. Isso é um exercício de amadurecimento. Muitas das suas navegações perdidas não o são por falta de rumo, mas por desacato às escolhas do capitão – você. No entanto, não se pode estar no leme e limpando o convés ao mesmo tempo. Seu papel executor o faz esquecer o que almejou enquanto incorporava o executivo. Um mentoring poderá treiná-lo a articular-se entre fazer e coordenar-se no que está fazendo – prática magna da autogestão.

Tem um pouco de realização em falar sobre as formas de se realizar. Independentemente dos motivos que o levam ao Mentor, enxergar a si e seu próprio caminho a partir do mirante, em ambiência de confiança, com ética e respeito, e expor, ouvir, refletir e discutir sobre o que vê, já estará sendo um dos muitos momentos a se comemorar na sua carreira.