Pronto, pronto, papai tá aqui.

Num jogo perfeito ou com muita sorte os militares estão no poder novamente. Sem tanques apontados para o congresso ou qualquer outra demonstração de força, usando apenas do sistema democrático, conseguiram reassumir o controle das coisas.
Que bom! Como já aconteceu no passado, eles aparecem quando nossas travessuras chegam ao limite da irresponsabilidade. Quando mostramos que ainda não estamos suficientemente amadurecidos para vivermos a democracia – terreno para culturas adultas. Eles reassumem o controle quando notam que a soberania que aprenderam a defender perdeu a importância e a pátria não tem mais sentido no coração da população imatura.
De onde estiveram nas últimas décadas, podem ter acompanhado os movimentos sabotadores dos mesmos que já haviam tentado entregar nossas riquezas aos soviéticos na guerra fria. Filhos cuja rebeldia sem causa foi terreno fértil pros espertalhões da neve. Bastou lhes dar uma bandeira diferente, um status vitimado e apontar uma “entidade inimiga” para que o desejo natural de pertencimento reforçasse a união dos “grupos de jovens excluídos”. Adquiriam armas e aprenderam a lutar, mas dissipados em funções influentes da sociedade notaram-se mais efetivos. Usando meios formais influenciaram grupos sociais vulneráveis pelos mesmos meios que foram influenciados: dando uma bandeira diferente, um status vitimado e apontando entidades inimigas. Minaram iniciativas de crescimento, banalizaram a educação, os valores e a cultura nacionais. Assim como bem os estimulam os russos, ainda permanecem na missão ingênua de dissolver as instituições, assumir o poder, fortalecer aos vulneráveis ou rebeldes dentro e fora do país, fumar charutos cubanos em Moscou sentindo-se vingados e, mais nada.
Ainda bem. Ainda bem que os fortes das armas voltaram. Precisam agora resistir aos jogos inescrupulosos dos, agora milhões, rebeldes sem causa. Pelo menos durante o tempo que criem causas verdadeira e estrategicamente importantes para nosso país. Pelo menos durante o tempo que precisamos para organizar a casa, moralizar nossas instituições democráticas, educar nossas crianças e jovens, punir severamente aos corruptos e outros criminosos, praticar e aculturar a democracia nos limites do legal, desenvolver o país aos níveis que seus recursos permitem, gerar cidadãos inovadores e proponentes de novas formas produtivas e saudáveis de vida, enfim, pelo tempo que precisamos para amadurecermos vivendo sobre estruturas da democracia e sem dependermos do papai para isso.

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